17 de Julho – 4 de Setembro

Participantes // Sinopse

O local como espaço de memória

De um contexto de viagem em que fotografo espaços urbanos e rurais passo para as imagens com ausência de cor como se fossem amnésicas.

A falte de cor não significa que as imagens não têm memórias, pois todos os locais por mais recônditos que sejam remetem-nos sempre, ou quase sempre, para um tempo ou para memórias idas.

A ausência através da presença de uma impressão volumétrica do relevo seco faz com que a presença esteva bem vincada. Como se fossem memórias que o tempo se encarrega-se de ocultar, embora o “acentuado” relevo não deixe eclipsar a memória.

Funcionando como uma anamnese em que o paciente é induzido a lembrar-se de factos passados. Assim são estas imagens, relembram-nos passagens que ocorreram. Mesmo que não conheçamos os espaços em causa as imagens remetem-nos para memórias ou para factos do nosso imaginário.

A viagem é uma constante na nossa memória, mesmo sem sairmos do mesmo local conseguimos imaginar como são outros lugares com mais ou menos exactidão, mas não se trata aqui de exactidão, mas de um significado o imaginário de cada um de nós e para onde nos leva.

Ferreira de Almeida – 08 Junho 2010

Ferreira de Almeida

Mário Manuel Ferreira de Almeida, natural da Gafanha do Carmo, 1969.

Finalista da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, licenciatura em Artes Plásticas, Pintura.

Exposições em que participou, apenas uma selecção das mesmas:

Individuais – Museu de Aveiro; Museu da Guarda; Museu da Covilhã; Museu da Electricidade do Funchal; Centro Cultural de Aveiro; Centro Cultural Raiano Idanha-a-Nova; Galeria JUP Porto

Colectivas – Centro Cultural Belém Lisboa; Fundação Cupertino Miranda Porto; Serralves Porto; Ala Panorâmica Tui Espanha; Parlamento Europeu Bruxelas

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“Construir no construído”

Para este trabalho escolhi como ponto de partida imagens de edifícios ainda em construção. Tratam-se de imagens extremamente plásticas onde a ordem e o caos imperam em simultâneo. As armaduras do betão criam repetições ordenadas enquanto que os montes de entulho contrapõem esse cenário regular.

Trabalhos realizados no ano passado no âmbito da disciplina de AtelierII.

Estes trabalhos foram efectuados com adesivos, a saturação da cor foi conseguida através da sobreposição de várias camadas de fita adesiva.

Estas imagens foram agora reinterpretadas através de processos calcograficos.

Existem vários autores que tenho como referencia, já estudados em anos anteriores, desde Gordon Matta-Clark, e as casas cortadas, Robert Smithson e a relação entre paisagem e arquitectura, passando por Daniel Buren, e as suas repetições exaustivas.

Para o desenvolvimento de meu projecto de edição utilizei vários tipos de matrizes. Desde os suportes em papel às placas de zinco. Os suportes em papel foram utilizados como matrizes para os relevos secos. As placas de zinco foram manipuladas de várias maneiras, desde o processo de calcogravura normal à impressão directa do papel sobre a matriz.

Mariana  Carvalho

Finalista da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, licenciatura em Artes Plásticas, Pintura.

Projectos e interesse actuais: Projecto “Lugar Comum” realizado em parceria com a Arq. Susana Carvalho. Trata-se de um programa de divulgação da arte e dos espaços.

http://www.lugarescomum.blogspot..com

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Sinopse

Memória – s. f., faculdade de conservar e reproduzir as ideias, imagens ou conhecimentos anteriormente adquiridos; a lembrança de qualquer coisa ou alguém; reminiscência. A memória poderá funcionar como uma espécie de espelho através do qual especulamos as lembranças que insistentemente queremos recordar. Existe uma necessidade perene, de fixar as imagens através de vários processos, com o intuito de as rever e reconstruir uma narrativa que se prolonga durante o tempo. A moldura acolhe a imagem e confere-lhe um lugar de destaque, construindo o espaço no qual os contornos e as manchas habitam.

Marina Vale Guedes

2004: Ingressou na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, no curso de artes Plásticas – Pintura, concluído no ano de 2009 com média de 14 valores.

Experiência Profissional: 1998: Participação num curso de Pintura dirigido pela pintora Rita Carreiro; 2004: Criação da marca R-corte ligada á produção de objectos de design; 2008: Participação em vários workshops relativos a gravura e fotografia; divulgados pela Faculdade de Belas Artes entre os quais: “Em serie – Workshop de gravura não toxicos“, “Re-Produzir: Desenho Cientifico“; orientado pelo biologo Pedro Salgado“ e “Ag Prata – Reflexões Peródicas Sobre Fotografia“; 2009: Colaboração na Universidade Júnior como Monitora da Actividade; “Aprende a ilustrar – Quem conta um conto acrescenta um ponto.

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Mudos Falantes

O retrato potencia viagens ao interior dos retratados, oferece espaço a indicadores da identidade individual, regista um tempo prolongado para além do momento de captação da imagem .

“Elemento estático que se altera de forma imperceptível e uniforme ao longo da vida” ( William A. Ewing, in “De caras! O retrato está morto! Viva a cara”).

Caras sem rosto, rostos sem caras ! Imagens de imagens, cópias de cópias…  “ninguém é mais do que a cópia de uma cópia, real ou mental” (Roland Barthes, in “ Câmara clara”).

A fotografia congela no tempo, o tempo. A ideia de memória /esquecimento, antagónico à ideia da fotografia, como prolongamento da vida. Criar sequências de rostos que se tornem fantasmagóricos, enigmáticos, estranhos…vultos! Desconstrução de imagens. Desconstrução da identidade de cada rosto retratado. Rostos que perdem contorno, que perdem o seu referente. Caras que flutuam num esquecimento…que perdem o seu memorável, que caminham em relação ao vazio da sua existência física. Rostos sombrios. Imagens frágeis mas ao mesmo tempo rígidas , estáticas, imóveis. Esfumam-se, desvanecem-se os traços vinculados a cada pessoa. A presença de um sinal vital , o olhar : presente ou ausente . O olhar “fala” ou “emudece”, tornando-se sombrio.

“(…)a “damnatio memoriae” imaginada pelos Romanos. Votada pelo Senado, a “damnatio memoriae” consistia em condenar alguém “post mortem” ao silêncio, ao esquecimento. Tratava-se de eliminar o seu nome dos registos públicos ou de fazer desaparecer as estátuas que o representavam ou ainda de declarar nefasto o dia do seu nascimento. Aliás, a mesma coisa foi feita sob o estalinismo quando se eliminavam as fotografias do antigo dirigente exilado ou assassinado. Tal foi o caso de Trotski. Hoje, seria mais difícil fazer desaparecer alguém de uma fotografia sem que se encontrasse de imediato a antiga imagem em livre circulação na Internet. O desaparecido não o seria por muito tempo”. (Umberto Eco e Jean-Claude Carriére, in “A Obsessão do fogo”)

A transparência e opacidade dos olhares. A transparência dos rostos através dos quais se entrevê um cenário possível… uma paisagem. O prolongamento do rosto ou o rosto que encerra e fecha a paisagem. Com o recurso à fotogravura, transforma-se o real retratado….encontra-se a autonomia em cada rosto, fragmento, de um todo preso pelas transformações. Um discurso que evoca o matérico e o evanescente, a memória ou o esquecimento.

Para a Exposição na Unidade de Saúde de Santos Pousada, pretendo realizar, continuar estas séries que tenho vindo a desenvolver mas incluindo as pessoas que no seu dia-a-dia habitam este espaço. Congelar a identidade de cada um, congelar a memória de um lugar. Para isso pedia que essas pessoas que trabalham e deambulam neste espaço diariamente se pudessem deslocar à Faculdade de Belas Artes do Porto para que eu possa tirar um fotografia do rosto das mesmas.

2004- participação nos projectos de parceria de Serralves com as escolas, “Narrativas de viagem” 2

2008- Seminários Ag, Prata – Reflexões Periódicas sobre fotografia”

2010- Workshop em “Técnicas de fusão e vidro”, pela Crisform

2010- Workshop/ Master Class “ UNCUT-Como fazer cinema sem filme?”, orientado por Livia Flores, integrado no projecto “UNNEEDED CONVERSATIONS – Theory and Practice of Art”

2010- 1º edição das conferências internacionais “UNNEEDED CONVERSATIONS – Theory and Practice of Art”

Felícia Teixeira

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Sinopse

A série de seis exercícios apresentada na Unidade de Saúde de Santos Pousado partiu dos conceitos de reconstrução e mutação do espaço associadas às diferentes funcionalidades e intervenções realizadas neste edifício. O edifício localizado na Rua de Santos Pousada nº 297 foi construído no final do século XIX mas só em 2007 é que a USFPC foi instalada no primeiro andar. Pensa-se que além de ter sido usada como residência familiar terá servido de instalação ao Fundo de Fomento Mineiro e aos Serviços Médicos e Sociais. Em 1973 são feitas obras para receber o Centro de Saúde de Santos Pousado, hoje localizado no rés-do-chão deste edifício. Esta série pretende através do uso de formas imprecisas e rasuradas expressar as marcas deixadas ao longo do tempo neste espaço. Marcas essas presentes na memória de quem com ele se relacionou bem como na estrutura do próprio edifício.

Sara Cristina Ferreira Pereira fez o secundário na escola Francisco de Holanda até 1995 tendo posteriormente interrompido os estudos até 2005. Neste ano frequentou o curso de pintura na ESAP em Guimarães tendo no ano seguinte ingressado no curso de artes plásticas na faculdade de belas artes da universidade do Porto. No segundo ano do curso escolheu o ramo de pintura por ser uma área que privilegia a criação artística sobre suportes bidimensionais e através de meios de execução rápida e subjectiva. Ao longo do curso privilegiou disciplinas como práticas do desenho, práticas da pintura e técnicas de impressão de modo a desenvolver competências nas três disciplinas que considera fundamentais para a evolução do seu trabalho.

Sara Pereira

 

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