PROJECTO LIDERA

Novembro 30, 2009

DIÁRIO GRÁFICO

Para este projecto queríamos ensaiar a primeira edição limitada de um diário gráfico, da autoria da comunidade académica da UP activa no ano de 2010. Simples, aparentemente, não fosse esta uma edição limitada de autor. À custa deste projecto aprendeu-se a editar, a colaborar e acima de tudo partilhar. Palavras difíceis de colocar na prática, mas obrigatórias numa oficina de gravura. Essa é a razão que nos leva a pegar neste novo livro e descrever como surge. Quando o fazemos entendemos como ele não é opaco ainda que feito a partir de folhas de algodão, como tem um cheiro e matérias próprias, como nele se espelham gestos, intencionais, reticentes ou assertivos. Neste projecto de edição queríamos que se materializassem ideias sobre como se pode criar, investigar, cruzar vários ângulos de saber num objecto produzido de um modo plástico, criativo, original. Os múltiplos de autor gerados por esta parceria na área da edição, afirmam um exercício de criação artística colectivo.

Ao longo de várias etapas, o projecto montou-se a partir dos blocos de notas, espaço mais privado, onde cada interveniente, nas diversas áreas comunica, fala, e desse outro espaço mais complexo, chamado oficina de técnicas de impressão. Ali, inicialmente a desenhar, sobre que se pensa, como se investiga, sobre o que sente, o aluno avança rapidamente sobre as folhas de papel, intercaladas com finas chapas de alumínio, acetatos e pacotes de leite. Na oficina o ritmo abranda e a urgência em ver resultados tem que ser contida para se chegar a algum fim.

Este é um livro feito dessas matrizes recarregadas de outras tintas e transferidas para folhas de papel, objecto pois adiado, muito suado, programado para dar uma finalização a um objectivo de síntese das múltiplas articulações entre disciplinas artísticas e extra-artísticas na universidade.

Os vários diários gráficos convergem num objecto final, desmembrados em algumas folhas, desconhecidas até ao último instante em que são impressas e cozidas lado a lado. Finalmente aí, nesse objecto síntese, os monólogos montados passam a ter continuidades inusitadas, e cada participante passa a participar no discurso do outro. A experiência, recursos técnicos e humanos das oficinas das Belas Artes, sejam eles o prelo caprichoso, as tintas oleosas, e tantas outras ferramentas servem para fazer surgir um novo diário de bordo, editado em suporte papel, construído colaborativamente numa lógica de trabalho que faz do material impresso o veículo ideal para a materialização das ideias.

Graciela Machado

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